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16.09.2017 • 12:09 por Mónica Mendes

Orelha Negra

Orelha Negra III

Eu, fã incondicional da Orelha Negra, já me confessei há muito tempo e sublinhei-o durante toda a semana no M.
Tenho o disco a rodar para escrever algumas palavras interessantes sobre ele, e só me ocorre uma: brutal! Mas vou esforçar-me um bocadinho, vá.
Não é fácil escrever sobre um colectivo que nos baralha os sentidos e nos retira, pelos cabelos, do conforto a que estamos habituados. Com a Orelha Negra, 2+2 nunca são 4 e à 3ª, a equação consegue ser ainda mais rica e colorida. Continuam por lá as vozes românticas do R&B, os scratches que as oxigenam, o baixo gordo do funk e a linha de bateria que nos faz dançar, mas as teclas tornaram-se ainda mais psicadélicas, metem os dedos na tomada, despenteiam. E isto tudo sem perder a compostura da “canção”. A canção que, ao estilo da Orelha, é feita de camadas e camadas de História. Tão depressa nos atira para um beco escuro, como se ilumina pelos vitrais de uma igreja onde ecoa o gospel. Provoca emoções fortes, é sexy, denso e robusto o 3º disco da Orelha Negra que, embora nos dê boleia por terrenos desconhecidos, deixa-nos sempre em porto-seguro.
A sensação que eu tenho sempre que oiço um disco da Orelha Negra é que sou rica e que faço uma encomenda: “Rapazes, façam aí um som à minha medida, se faz favor. É isto mesmo! Brutal! Obrigada.”